Consórcio Imobiliário

O consórcio de imóveis funciona como o conhecidíssimo consórcio de veículos. O interessado define o valor do imóvel que planeja comprar - o mercado oferece em média de R$ 30 mil a R$ 150 mil, registrando maior procura na faixa de R$ 50 mil - e adere a um grupo. Pelas regras do Banco Central, a empresa administradora tem 90 dias para formar esse grupo, que só poderá ter início com 70% das cotas vendidas. Caso contrário, deverá devolver o valor da taxa de adesão corrigido aos interessados.

Normalmente, dois imóveis são entregues por mês para cada grupo, um por sorteio outro por lance. Não importa o município onde se tenha aderido ao consórcio: as empresas aceitam que o consorciado contemplado escolha um imóvel em qualquer cidade brasileira. No entanto, ficam fora do sistema de consórcio unidades vendidas na planta.

O imóvel a ser adquirido, novo ou usado, deverá estar pronto e ter documentação completa. Isso porque o imóvel estará atrelado a uma hipoteca até que o consorciado quite seu plano. Num mercado em que as empresas têm taxas livres, o futuro consorciado pode lucrar se fizer uma boa pesquisa.

A taxa de adesão ao sistema costuma variar de 2% a 4% do valor total do crédito, e deverá ser, obrigatoriamente, abatida da taxa de administração - cobrada pelas empresas para gerir os grupos. Normalmente, o pagamento da taxa de adesão é exigido à vista ou nas primeiras parcelas do consórcio. As empresas utilizam esse dinheiro para pagar a comissão de seus vendedores. Já a taxa de administração (entre 16% e 24% do valor do imóvel pretendido) é diluída ao longo do prazo do consórcio e paga mensalmente pelos participantes. Somadas a ela estão taxas de seguros de vida (que quita o débito e entrega o imóvel à família do consorciado morto ou com invalidez permanente e seguro desemprego), além de 0% a 5% do valor total do bem como fundo de reserva, instituído para sanar casos de inadimplência e não complicar a saúde financeira do grupo.

Caso não seja utilizado, o fundo de reserva, juntamente com outras sobras de dinheiro do grupo, deverá ser devolvido corrigido pelo mesmo índice do contrato, no final do prazo do consórcio.

O volume de vendas de cotas de consórcios imobiliários cresceu 46,1% no acumulado do ano, comparado ao mesmo período de 2008.

O crescimento nas vendas desse tipo de consórcio se deve à falta de uma política de concessão de crédito imobiliário para a população. As linhas oferecidas pelo mercado são incompatíveis com as condições do povo brasileiro. Além disso, os recursos destinados pelo governo para esta área não são suficientes para cobrir o déficit habitacional do País, que é de mais de seis milhões de domicílios. Neste cenário, o consórcio desponta como a melhor alternativa para quem não tem dinheiro o suficiente para bancar o financiamento da casa própria.

A empresa a ser escolhida deve ser idônea e investigada a fundo para se evitar possíveis aborrecimentos no futuro.