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Sistema viário


        Todos os moradores de Brasília usam no dia a dia. Todos os turistas perguntam. Muitas pessoas já ouviram falar. As crianças querem saber. Já foi notícia em várias partes do mundo.

As pistas do sistema viário de Brasília são muito largas e foram projetadas para proporcionar uma vazão elevada do trânsito.

Mas ! Por que ?

Pela primeira vez na história da humanidade uma cidade foi projetada para veículos com velocidades maiores que 40 Km/h. As velocidades já haviam sido consideradas em outros projetos, com os trens para cidades lineares, mas os veículos motorizados só começaram a ser difundidos a partir do início do século XX.

Lucio Costa colocou o automóvel individual como ponto central de suas preocupações. Em 13 dos 23 itens do relatório do projeto de Brasília ele menciona a circulação do mesmo.

Ele inicia o seu projeto expondo a estrutura de vários eixos viários, e ao redor, as atividades urbanas.

Item 1 do Relatório - Nasceu do gesto primário de quem assinala um lugar ou dele toma posse : dois eixos cruzando-se em ângulo reto, ou seja, o próprio sinal da cruz. (...)

Item 3 do Relatório - ... e houve o propósito de aplicar os princípios francos da técnica rodoviária - inclusive a eliminação dos cruzamentos - à técnica urbanística, conferindo-se ao eixo arqueado correspondente às vias naturais de acesso a função circulatória tronco, com pistas centrais de velocidade e pistas laterais para o tráfego local, dispondo-se ao longo deste eixo o grosso dos setores residenciais.

Item 4 do Relatório - ...os centros cívico e administrativo, o setor cultural, o centro de diversões e o centro esportivo, o setor administrativo municipal, os quartéis, as zonas destinadas a armazenagem, ao abastecimento e às pequenas industrias locais e, por fim, a estação ferroviária, foram-se naturalmente ordenando e dispondo ao longo do eixo transversal que passou assim a ser o eixo monumental do sistema....

Ele alocou assim no centro da composição - o cruzamento dos dois eixos - a estação rodoviária e, no plano superior, o estacionamento de veículos individuais. A plataforma prevista era uma grande praça elevada com uma grande área para veículos.

Item 5 do Relatório - O cruzamento desse eixo monumental, de cota inferior, com o eixo rodoviário-residencial impôs a criação de uma grande plataforma liberta do tráfego que não se destine ao estacionamento ali, remanso onde se concentrou logicamente o centro de diversões da cidade, com os cinemas, os teatros, os restaurantes, etc...

O urbanista criou as superquadras com trezentos metros de lado para serem visíveis para os veículos em movimento ao longo da rodoviária, assim como as edificações do eixo monumental.

Ele usou a técnica rodoviária, desenvolvida desde a década de 1920 na Alemanha e nos estados Unidos, que se organiza para o transporte individual.

Pouco ele fala no transporte coletivo.

Essa organização considerava para o seu projeto uma população de 500.000 habitantes no máximo, segundo a carta de esclarecimentos da Novacap aos concorrentes da licitação (pois o edital não fazia nenhuma referência à população).

Entretanto, Brasília foi projeta e construída no contexto do Plano de Metas de JK. Era sua meta síntese. A industria automobilística estava neste momento se instalando, como base do processo de industrialização do Brasil. A nova Capital foi excelente matéria de propaganda do automóvel.

Observo que Lúcio Costa, apesar de ter tomado o automóvel com núcleo do seu projeto, tratou suas relações com o pedestre de forma peculiar :

Item 8 do Relatório - ... estabeleceram-se, tanto nos setores centrais como nos residenciais, tramas autônomas para o trânsito local dos pedestres afim de garantir-lhes o uso livre do chão, sem contudo, levar tal separação a extremos sistemáticos e antinaturais pois não se deve esquecer que o automóvel, hoje em dia, deixou de ser o inimigo inconciliável do homem, domesticou-se, e passou a ser, por assim dizer, parte da família. Ele só se "desumaniza", readquirindo vistà-vis do pedestre, feição ameaçadora e hostil quando incorporado à massa anônima do tráfego. Há então que separá-lo, mas sem perder de vista que em determinadas condições e para comodidade recíproca, a coexistência se impõe...

No centro urbano Lúcio Costa projetou uma separação mais definida, com acessos de veículos e pedestres em níveis diferentes.

Item 11 do Relatório - ... estes núcleos e setores são acessíveis aos automóveis diretamente das respectivas pistas e aos pedestres por calçadas sem cruzamento, e dispõe de autoportos para estacionamento em dois níveis,...

Integrando-se totalmente nas superquadras :

Item 23 do Relatório - ... as quadras seriam apenas niveladas e paisagisticamente definidas, com as respectivas cintas plantadas de grama e desde logo arborizadas, mas sem calçamento de qualquer espécie, nem meio-fios.

E na plataforma rodoviária :

Item 10 do Relatório - Nesta plataforma... o tráfego é apenas local... Nestas praças o piso das pistas de rolamento, sempre de sentido único, foi ligeiramente sobrelevado em larga extensão, para livre cruzamento dos pedestres.

Lúcio Costa, conseguiu integrar em seu projeto, a técnica de circulação mais avançada, sem perder a naturalidade ou o sentido da escala humana.

A sua preocupação com o tráfego de veículos se refletiu na magnitude das pistas do nosso sistema viário.

 

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